link

Frio

Sinto frio, sinto medo,
tento pensar em respostas
e em não pensar,
me sinto só, seu.
Tomo café, leite,
e me misturo.
Tão perto,
distante do abraço.

Perto

Hoje comemoro minha dependência,
minha tão sonhada dependência,
posso talvez sofrer em breve,
independência de viver.

Logo festejarei o futuro,
fatos já previstos,
as rimas já esperadas,
desesperadas indo embora
desperdiçando meu tempo
que não volta mais,
que não dança jamais.

Perto de mim o vento passa
Sigo em sua companhia
Respiro suas reflexões
Sigo em total fluidez

E então festejarei o presente
Para que em breve
Não ter mais o que comemorar

Insônia


E agora o que vai ser?
Na madrugada tão veloz
os carros passam,
a lua vai,
mas eu fico aqui.

Pensando, vivendo.
Na madrugada devagar
eu fico aqui.

Buscando sem querer achar,
cantando sem querer falar.

O sol reaparece,
vou seguindo pelos cantos.
Não quero, não posso me esconder
enquanto não aprender a dormir.

Lendo Blues


Ler
o que está escrito
e o que não se escreve.
Aprender o perfeito,
o imperfeito,
malfeito,
apurado.

Página por página
como um riff de blues
que vai dominando
o ambiente mudo.

Até chegar ao final,
o último ponto,
o último solo,
saciar o desejo,
um livro,
um blues.

Contrabaixo


Sou sempre sério.
Às vezes pareço irônico.
Gosto de observar e ser despercebido.
Encarregado de levar silêncio e sons.
Pensar e fingir que penso.
Ir lentamente
quando é necessário correr.
Rir lentamente:
quando é necessário correr?

Levo pronomes em mí(m).
Sou uma figura de linguagem
onde tudo se encaixa.
Vejo concessão em tudo,
até nas formas mais abstratas,
em formas, em fôrmas, informa:

Cores que se misturam
nas músicas que vocês interpretam
(elas não me dizem nada).
Vou devagar, sempre hei de vagar,
sem medo de ficar,
de ser deixado pra trás.