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Espelho








Era/é noite,
por isso, conversávamos,
sílaba em t
também participava,
participava também
dó, ré, mi, fá sol, lá, si,
pairava no ar,
pintura, poesia.

Haikai II

Queria falar em um haicai
tudo aquilo que
não me cabe mais.

Eu estou bem!

Já me alimentei,
por algum tempo,
em inventar sonhos
sem perceber que
era preciso realiza-los,
devorava-os em mim.

Por quanto tempo
fiquei a enxergar,
fascinado,
por entre os galhos
das árvores,
a lua, as estrelas,
sem perceber que eles eram
o meu maior obstáculo?

Assim fui sendo consumido
pelo tempo, pelos sonhos.

Hoje vivo de realizar
antes mesmo de sonhar.
O verbo que me segue
é chamado de precisar,
sendo conjugado
em todos os tempo verbais.
Vou me deixando levar,
refletindo algumas vezes
se em algum dia
precisarei, novamente,
sonhar.

Mudanças

Joguei-me
na ventania empoeirada,
buscando esquecimento,
no final da tarde.
Dei pegadas importantes
em espaços, entre estrofes,
de uma poesia qualquer.
Eu e minha indiferença.
Quando a simpática
tolerância que possuo
deixou de me tolerar,
não havia mais emoção
em respirar.

Entrei
na ventania empoeirada
buscando conhecimento:
aprendi que pouco,
nos últimos meses, aprendi.
Eu sou indiferente, diferente.