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(Pó)esia - IX


O problema
é que a poesia
se torna maior
que os vocábulos escritos.
Assim, nas entrelinhas,
existem diversas frases
para serem ditas.
Mas, no entanto,
são poucas as palavras
para as poesias que escrevi.

Tudo fica escondido,
oculto, no silêncio.
E eu, em vão,
tento colher palavras
no deserto do vocabulário
que nunca tentei cultivar.

(Pó)esia - VIII


Nada passa tão desigual
quanto as nuvens que vejo
pela minha janela.
Tudo é tão abstrato
feito as conversas
que escuto pelos cantos.
E o canto pode virar pranto
se assim você rimar,
pois o ritmo sonoro
que as palavras cantam
tendem a ultrapassar
os cantos das paredes.

Desigual, as nuvens, passam
e não percebem a melodia
da minha janela sem cantos
que canta,
sem pranto,
a tudo aquilo
que está lá fora.

(Pó)esia - VII


Quero um pouco mais
do que sou agora.
Solto palavras pra
e me contenho
com o que tenho agora.
Sorrio e me divirto
com o momento,
pois a cidade está molhada
e a chuva vai demorar
a passar.
A noite me sequestra
para os dias que virão
e não me importo,
estou afim de me distrair
e improvisar um pouco a mais.

(Pó)esia - VI


Tomo uma bebida
e sinto o arder
da cachaça na garganta.
Dou um trago
e vejo a fumaça ir embora
acompanhada pelo vento
que passa por aqui.
Peço a conta
e percebo que posso ficar
um pouco a mais.
Vou embora
e nada disso
é tão grande quanto
a distância que percorro
para poder ir
e depois
voltar.

(Pó)esia - V


Escuto
de uma forma frenética
a mesma música
diversas vezes.
Leio os mesmos textos
de centenas maneiras possíveis.
E continuo repetindo
como se fosse a primeira vez.

Subo e desço escadas
contando os degraus,
mas, pra variar,
salto alguns,
pulo alguns,
esqueço de alguns,
me escoro no corrimão.

A repetição
depende da velocidade,
(rápida ou lenta)
do ciclo que flerta
com o nosso pensamento,
da vontade que o fim
nos trás de começar novamente.