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Fosse

Ultimamente tenho escutado
muitas onomatopeias,
alguns monossílabos
e meias conversas.
Ensaio várias vezes
minhas ações, gestos e palavras,
segurança dentro da insegurança,
vivendo entre o choro e o riso;
o céu e o chão; lixo, luxo;
ciúme e liberdade; prazer e sofrer.

Alguns livros que li
não me acrescentaram nada,
nem algumas músicas sincopadas,
arpejadas, gritadas, sussurradas,
idealizadas, artificiais...

Entre o porão e o sótão, sou pensativo,
cúmplice de brisas e umidade.
Fiel do sentimento que a poesia tem,
que chega devagar e vai embora rápido,
às vezes me pede para ficar um pouco mais,
noutras trás o convite para eu a seguir,
deixando a curiosidade
de que seu eu a seguisse
o que iria encontrar
se atrás dela
eu
fosse.

Azul

 
Azul
Fotometragem produzido pelo Selos Tabor

Direção, Edição e Fotografia:
Jean Santos

Músicas e Poesia:
Guegueu Schade

Apoio:
Núcleo Aroeira de Arte
Urupês

Lilás


Feito um copo descartável,
biodegradável.
Com uma marca de batom,
cheiro de cerveja
e um gosto amargo
(e um rosto amargo)
de tristeza.

Abandonado em uma esquina,
aquela esquina.
Chorei sozinho na madrugada
contando os seus passos
e sentindo em mim
a marca do seu batom,
ferindo em mim, sua cor lilás.

Despe (dir)


Sou tão seu
enquanto fico despido.
Não sinto nada
quando me visto.
Apenas me despido.

Não entendo o querer,
o meu, o seu.
Pareço forte,
meu sentir é fraco

Facilmente envolvido.
Penso em dizer
o que penso, sinto, quero.
NÃO!

Estou desejando sensações
(mesmo sendo sentimental):
Tesão, prazer, gozo.
SIM!

Sou tão seu
mas não me possua
Se não, visto, me despido.

Início em Ré


Eu cravo os dentes em minhas entranhas,
estranhas mordidas.
Um gosto familiar,
antropofágico.

Mordidas parceladas,
saboreando até enjoar,
escutando a mandíbula,
distinguindo cada cheiro.
Sentimentos
Prazeres

Eu fixo o olhar em minhas entranhas,
estranhas entranhas.
Familiar?
Autofágico