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Destino

Sinto no ar
sentimentos  palpáveis,
invisíveis, gananciosos,
sentimentos insensíveis.

Esqueci minhas falas,
eu posso voar
se assim desejar.

Tudo está precisando
de pré-posições,
um encontro
que por acaso
apenas acontece.

E assim o destino
me leva,
sem nenhum acaso,
ao meu lugar,
à lugar nenhum.

Contrabaixo - Ôxi sonoro

http://www.youtube.com/watch?v=dagqZLJqXmc

Estação

Não me canso
do banho de chuva,
das noites mal dormidas,
nas manhãs pouco vividas.

Toda essa desordem
nos proporciona prazeres
e nela eu gosto de viver.

Que tudo seja contato
da maneira mais correta,
nas mais indiretas formas
e nos mais possíveis absurdos.

Do molhado e da frieza
que a chuva me propicia
eu gosto só por gostar,
por mais que ela tente
nunca me virá chata
nem será chateada.

Gosto de prazeres:
andar, correr, deitar,
sentir o agora,
tentando me preocupar
no dia de amanhã.

Fosse

Ultimamente tenho escutado
muitas onomatopeias,
alguns monossílabos
e meias conversas.
Ensaio várias vezes
minhas ações, gestos e palavras,
segurança dentro da insegurança,
vivendo entre o choro e o riso;
o céu e o chão; lixo, luxo;
ciúme e liberdade; prazer e sofrer.

Alguns livros que li
não me acrescentaram nada,
nem algumas músicas sincopadas,
arpejadas, gritadas, sussurradas,
idealizadas, artificiais...

Entre o porão e o sótão, sou pensativo,
cúmplice de brisas e umidade.
Fiel do sentimento que a poesia tem,
que chega devagar e vai embora rápido,
às vezes me pede para ficar um pouco mais,
noutras trás o convite para eu a seguir,
deixando a curiosidade
de que seu eu a seguisse
o que iria encontrar
se atrás dela
eu
fosse.

Azul

 
Azul
Fotometragem produzido pelo Selos Tabor

Direção, Edição e Fotografia:
Jean Santos

Músicas e Poesia:
Guegueu Schade

Apoio:
Núcleo Aroeira de Arte
Urupês